Tem alguém aí ainda?
O diário público de escalar a NaGringa, agora todo domingo. Começando pela conta que eu não queria fazer.
A última edição dessa newsletter saiu em 22 de setembro. Quase dez meses atrás.
Eu sei. Uma newsletter chamada Dev que Vende que passa dez meses sem publicar (nem vender) nada. A ironia não me escapou.
A desculpa é a de sempre: a vida passou por cima. Mas nesses dez meses construindo a NaGringa eu juntei exatamente o tipo de história que essa newsletter nasceu pra contar. Então ela volta num formato que deixa mais difícil eu sumir de novo: todo domingo, um diário público do que estou aprendendo escalando o negócio.
O contrato desse diário é construir em público. Fracasso ganha o mesmo espaço que acerto. Todo número sai direto dos meus dashboards. E a meta de 50 mil assinantes tem placar aberto, atualizado todo domingo.
Começando pelo gráfico que me tirou o sono essa semana:
880 mil pessoas1 viram meus posts no LinkedIn nos últimos 30 dias.
126 assinaram a newsletter.
Consegue ver a segunda barra? Pois é. Eu também não.
Passei a semana tentando entender o que estava errado. Três aprendizados.
1. Alcance não é distribuição
Eu achava que tinha um funil: post viraliza, gente conhece meu trabalho, gente assina a newsletter.
Os dados dizem que eu tenho duas coisas separadas que não conversam entre si.
O LinkedIn funciona. 44 posts em 90 dias, mediana de 14 mil impressões, o melhor post passou de 216 mil. A newsletter também funciona: 13 mil assinantes, open rate de 27%.
O que não existe é a ponte entre as duas. Post sobre “3 tipos de tech lead” alcança 216 mil pessoas. Quantas dessas viram assinantes? Quase nenhuma, porque o post entrega tudo ali mesmo e não dá motivo nenhum pra pessoa sair do LinkedIn.
O erro clássico (que eu cometia) é tentar consertar isso divulgando o artigo diretamente: “escrevi sobre X, link nos comentários”. Nos meus dados, post de divulgação direta é sempre o que menos alcança.
O que estou testando agora: o post precisa funcionar sozinho E deixar uma ponta solta que só o artigo resolve. Um gráfico que se explica sem contexto, uma tabela que a pessoa quer completa.
2. Dois produtos diferentes
Dois posts meus, do mesmo mês de junho, escritos com o mesmo capricho:
“Existem 3 tipos de tech lead.” 216 mil impressões.
“Uma coisa que aprendi construindo o Gringo:” 4 mil.
54 vezes menos alcance. E o segundo é o formato que eu mais gosto de escrever. (Sim, é o formato desse diário. Já chego nesse problema.)
Fui atrás do padrão nos 44 posts do trimestre, e ele não tem exceção:
↳ estourou: número estranho na primeira linha (”R$815k por ano”, “1.662 salários”), gente em conflito (”Senior de 3 anos e pleno de 10 na mesma empresa, fazendo o mesmo trabalho”)
↳ morreu: “uma coisa que aprendi”, notícia comentada, conselho sem número
Na newsletter é igual: quem já assina lê meu benchmark de salários até o fim. Mas benchmark não sai da bolha. O que sai é história com tensão: alguém que escolheu errado, um número que ninguém espera.
O conteúdo pra quem já assina e o conteúdo pra quem nunca me viu são produtos diferentes.
Eu passei o ano fazendo só o primeiro e cobrando dele o resultado do segundo.
E o problema óbvio: esse diário nasce no formato que flopa. Minha aposta é que “uma coisa que aprendi” morre porque não custa nada escrever. Um diário com os números na mesa custa. É isso que eu vou testar aqui, um domingo por vez.
3. Nenhum texto melhor fecha um gap de 50x
A conta que doeu fazer:
Minha meta era chegar a 50 mil assinantes até o fim do ano. Estou em 13 mil. Faltam 25 semanas, então preciso de quase 1.500 assinantes novos por semana.
Ritmo atual: 30 por semana.
Isso é um gap de 50x. E a real é que não existe “escrever melhor” que multiplique resultado por 50. Melhorar o conteúdo me dá 2x, talvez 4x. O resto tem que vir de coisas que crescem sozinhas enquanto eu durmo:
↳ um lead magnet com distribuição própria (uma calculadora de salário converte mais que um ano de artigos)
↳ programa de indicação (5% de 13 mil pessoas indicando uma = 650 assinantes, de graça)
↳ cross-promo com outras newsletters do nicho
Growth 101, eu sei. Mas eu precisei fazer a conta na mão pra aceitar que a resposta pro meu problema não estava no editor de texto. Eu sou dev: minha tendência é achar que todo problema se resolve fazendo melhor a coisa que eu já sei fazer.
A meta continua 50 mil, mas agora com um placar público: todo domingo esse diário mostra o número real e o ritmo da semana, bom ou ruim. Marco interno: 1.000/semana até outubro. Se em setembro o ritmo não tiver passado de 150/semana, eu assumo aqui mesmo que o ano fecha em 25 a 30 mil, sem fingir que a meta sempre foi essa.
O que muda a partir de segunda
Montei um sistema de conteúdo com agentes de IA fazendo o trabalho pesado, de minerar os dados a rascunhar os posts. Eu entro em três momentos: escolher a tese, contar a história pessoal e bater o martelo antes de publicar. 60 a 90 minutos por semana, cronometrados.
Se isso funciona ou vira mais um sistema bonito que ninguém segue, eu conto aqui nos próximos domingos.
Domingo que vem: o primeiro ciclo completo do sistema rodando, com os números do que publicou e do que converteu.
Se você leu até aqui depois de dez meses de silêncio, deixa um comentário. Pode ser só um “tô aqui”. Quero saber quem sobrou.
Impressões somadas dos 22 posts entre 12/06 e 12/07, direto do analytics do LinkedIn. Os 126 assinantes vêm do dashboard do Substack, mesmo período.


